A história se repete nos mares ou na rede?

Piratas & Corsários

Agradeço aos amigos que gostaram da postagem: “de Tiradentes aos piratas digitais” do dia 17/04. No entanto, um seguidor do jurubeba acusou-me de incentivar os atos ilegais do the pirate bay.
Resolvi continuar debatendo o assunto, principalmente hoje quando completamos mais um ano de “descobrimento” do Brasil. Lembram o fidalgo Pedro Alvares Cabral comandando suas 13 caravelas ao aportarem nesta terra? Foi o caminho maritimo para as indias que o trouxe para essas terras, em suas singelas caravelas muitos metais: ouro, prata, seda, armas e principalmente alguns navios cheio de escravos em seus porões.

Lendo num site muito bacana – “Curiosidades da História” vou tentar fichar a leitura informando que os termos pirata e corsário aparecem muitas vezes envoltos em alguma confusão. Ao longo da história, foi necessário clarificá-los: o pirata age de forma autônoma como um simples salteador, motivado apenas por necessidades materiais, atacando indiscriminadamente as vitimas sem atender à sua naturalidade condição ou religião.
O corsário não age, apenas, em função dos seus interesses próprios, mas atua em nome de um rei. Sob a bandeira deste rei e de seu reino atacava navios de países inimigos e dividia o saque com o rei. Este ficava com a maior parte.
No período de 1948-1805 a C., durante o reinado do sexto rei da primeira dinastia do reino da Babilônia foi elaborado o Código de Hamurabi, de que consta a primeira legislação conhecida contra a pirataria. De acordo com o legislado, os piratas estavam sujeitos ao pagamento de multas: dez vezes superior no caso de ataque a navios propriedade de um Estado ou instituição religiosa.
Seriam os piratas sujeitos que roubam dos ricos para vender aos pobres a preços módicos? Como realizar esta conversão diante do motor capitalista, onde vários articulistas indicam que 20% concentram a riqueza em detrimento de 80%, ou seja, temos uma equação invertida.
Se os algoritimos desta equação estão invertidos, pode-se inferir que 80% da população mundial já fez negócios ou comprou produtos desses “bandidos” (os 20% são as vítimas dos piratas) que de forma tão singela ajudam a população pobre a ter os produtos que nem trabalhando 100.000 anos de sol a sol, sem parar um segundo, nem para dormir ou comer sua marmita contendo arroz, feijao e ovo frito teriam condições de comprar.
Não estamos romanticamente revivendo a pirataria dos séculos XVI e XVII, ou seja, pilhar, matar, botar fogo no navio e fugir bebendo rum virou peça de museu inscrita numa tela de basalto, exposta no Museu do Louvre, em Paris!
A pirataria moderna é fruto da acumulação de riqueza do capitalismo e como dizia Marx produz seus próprios coveiros e por tabela seus piratas. O que dizer do assalto ou da retenção do barco cotentor americano, Maersk Alabama e do rapto do seu comandante, Richard Philips pelos piratas Somalis. O que dizer do riso sarcastico do pirata Somalio preso pela policia maritima americana, mesmo que sua mãe já tenha apelado ao presidente Obama dizendo que seu filho foi seduzido pelo dinheiro. Mas, dinheiro de quem? de corsários, ou da sedução de vários negros explorados da Somália que resolveram pilhar a riqueza de americanos, japoneses e europeus, talvêz inspirados nos ensinamentos das produções dos cinemas americanos em Piratas do Caribe. Lí na agência carta maior um artigo de Noam Chomsky (americano naturalizado e professor do MIT) que nos dias de hoje, a pirataria está no ramo de roubar idéias (assim, a China pode possuir o maior celeiro de piratas do mundo). A ordem agora é: comprar o produto, roubar sua idéia, criar outro que seja parecido, mas com preço bem menor, e sair vendendo por aí por milhões de chinesinhos, tailandêses, indianos, paraguaios, europeus, peruanos, etc… etc… e nossos ilustres brasileiros accompanhados por ilustres americanos jogados no vendaval nestes tempos de crise.

The pirate bay resiste a lei de copyright
Lá na Babilônia criaram o Código de Hamurabi, primeira legislação anti-pirataria, nos nossos dias há leis anti rádios comunitárias, anti greves, lei de patentes, anti-isso, anti-áquilo. Pirataria é o termo convencionalmente utilizado para se referir à cópia não autorizada e à distribuição ilegal de material sob direito autoral, especialmente música, imagem, vestuário e software.
O pirate bay inovou ao disponibilizar através de um mecanismo de busca tão identico ao Google simplificações ao usuário para encontrar qualquer conteúdo desejado de maneira fácil, seja para baixar filmes, músicas, livros, vídeos utilizando-se de arquivo (.torrent).
Pela mesma lógica empregada pelos senhores da corte de Estocolmo, poderiam perfeitamente prender e multar os fundadores do Google, porque se você fizer uma busca por qualquer coisa acompanhada da palavra torrent, também vai achar o que procura. E também podem mandar prender todos os 22 milhões de usuários do The Pirate Bay, além de qualquer um que assista séries de TV em arquivos torrent. Não é demais falar que o Youtube está enfrentando uma série de questões judiciais.
Um arquivo torrent precisa de um software BitTorrent que é uma multi plataforma, o que permite o seu uso nos diversos sistemas operacionais, então se você gosta do Linux ou Windows, pode baixar os arquivos nos dois sistemas. O código fonte do BitTorrent é aberto, de uso gratuito. Essa maravilha de tecnologia que causa uma revolução no compartilhamento e liberdade do conhecimento vem sendo acusada pelos corsários da Indústria Fonográfica (RIAA) e a Motion Picture Association dos Estados Unidos.
O episódio do the pirate bay exemplifica o quanto a internet livre e revolucionária utilizando-se e desfraldando a verdadeira bandeira da democratização da informação, amaldiçoa a velha corte conservadora dos donos de comunicação. Esses senhores estão entre os 20% que pararam no tempo e estão pagando um preço caro por tentarem manter seus velhos instrumentos de exploração.
Assim se repete a história, não mais envolvendo só os grandes mares do mundo inteiro, agora está nas redes sociais colaborativas do planeta terra.

É claro que não se pode dispensar (quem gosta!) uma boa garrafa de rum. Eu prefiro uma cerveja, um pato no tucupi, bem como compartilhar todos os recursos fantásticos neste momentos de (WEB 2.0).

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